Santander aposta em financiamento para energia solar em telhados no Brasil

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  • 16 de maio de 2017

16 de Maio de 2017| Notícia N°1.050

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) – O banco Santander Brasil aposta que a instalação de placas de energia solar em residências e comércios, uma tendência cada vez mais vista na Europa e nos Estados Unidos, deverá em breve se popularizar no país, o que tem levado a unidade de financiamentos da instituição a oferecer empréstimos para que os consumidores adotem a tecnologia.

Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o número de pequenas instalações solares como essas saltou mais de 1.400 por cento entre meados de 2015 e este início de 2017, de 631 para 9,7 mil unidades, mas o ritmo ainda é visto como baixo perto do potencial de expansão no país.

“Esse mercado ainda vai explodir, e a gente tem que estar preparado… hoje não tem banco privado colocando dinheiro nesse setor”, afirmou à Reuters o superintendente do Santander Financiamentos, Newton Ferrer.

Ele disse que a grande meta do banco é popularizar essa modalidade de financiamentos a ponto de fazê-la sair de uma fatia hoje praticamente insignificante para ao menos 10 por cento na carteira total de empréstimos do Santander Financiamentos, excetuando-se as operações com veículos.

Esse volume representaria, pelas atuais proporções da carteira, a concessão de cerca de 50 milhões de reais em financiamentos por mês, ou 600 milhões de reais por ano.

Como o valor médio das transações tem sido de 25 mil reais, o banco poderia viabilizar mais de 2 mil instalações solares por mês, caso as operações ganhem tal ritmo.

“Não tem ainda uma data, um calendário, mas o que vai fazer essa tecnologia ter esse crescimento exponencial serão três fatores: quando os grandes grupos decidirem investir nisso, provavelmente as distribuidoras de energia; quando a situação da economia melhorar; e quando for retomada a confiança dos consumidores”, apontou Ferrer.

Os clientes que aderiram aos telhados solares com apoio do Santander estão principalmente da região Sudeste e dividem-se entre os do setor comercial, como shoppings e instituições de ensino, e residencial, onde o predomínio é de consumidores com entre 35 e 45 anos, de classe média alta, que adotam a tecnologia principalmente devido a preocupações com sustentabilidade, disse Ferrer.

Ele disse que o banco viabiliza os financiamentos diretamente para fabricantes e fornecedores de equipamentos do setor cadastrados em sua base, que já conta com cerca de 230 empresas, das quais cerca de 70 têm realizado operações recorrentes.

Em 2017, o Santander Financiamentos registra até o momento a concessão de empréstimos para aproximadamente 250 projetos de instalação de telhados solares.

COMO UM CARRO

As operações do Santander Financiamentos para pequenos sistemas de energia solar contam com carência de até 90 dias e prazo de até 60 meses para pagamento, com taxas de juros de entre 1,70 por cento ao mês e 2,10 por cento ao mês, a depender do valor e do perfil do cliente.

Segundo Ferrer, os custos e taxas ainda não permitem que o investimento na instalação seja recuperado pelo consumidor em prazos abaixo de seis anos, mas o cliente não deve fazer essa conta, sob risco de desistir do negócio.

“É igual um carro… ninguém faz a conta de em quanto tempo é o payback de um carro… o sistema fotovoltaico tem vida útil de 20 a 24 anos. O benefício é vida útil do painel, a satisfação do consumidor, a experiência real. Levar a conta do payback para o cliente não vende”, disse.

O executivo explicou que os financiamentos do banco para o segmento começaram em 2013, e inicialmente a expectativa era de uma forte adesão dos consumidores já em 2015, o que não se concretizou em parte pela crise financeira do Brasil, que desestimulou fortemente o consumo.

“Eu apostava que seria o grande ano, e cresceu. Cresceu, dobrou, mas ainda não é o que se espera… isso vai ganhar escala, vai ter uma outra proporção.”

Atualmente, os consumidores com sistemas solares ganham créditos na conta de luz na mesma proporção da energia gerada, em um mecanismo implementado pela Aneel a partir de 2012 e aperfeiçoado em 2015 com o objetivo de incentivar as instalações.

 

Fonte da Notícia: Reuters Brasil

Link da Notícia: http://www.fcsolar.eco.br/?p=5278

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